17/05/2026
Índice de reciclagem mecânica de embalagens plásticas pós-consumo chegou a 24,4% em 2024; Setor avança em economia circular, inovação e ampliação do reaproveitamento de resíduos
Quando um consumidor descarta corretamente uma embalagem plástica, dificilmente imagina que aquela embalagem pode retornar ao mercado em forma de roupas, revestimentos arquitetônicos, peças automotivas, mobiliário urbano ou produtos da construção civil. Esse é justamente o princípio da economia circular: reinserir a matéria-prima na indústria, transformando-os novamente em matéria-prima para novos produtos.
No Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) chama atenção para um aspecto ainda pouco percebido pela população: o resultado final da reciclagem. O que muitas vezes passa despercebido pela população é que a circularidade do plástico se concretiza quando embalagens descartadas corretamente retornam à indústria e passam a integrar produtos presentes no cotidiano das pessoas, de roupas e móveis a itens da construção civil e da indústria automotiva. Para que isso aconteça, porém, o descarte correto e a coleta seletiva são a primeira e mais importante etapa desse processo.
Segundo estudo anual encomendado pelo Movimento Plástico Transforma, iniciativa do PICPlast, parceria entre a ABIPLAST e a Braskem, publicado em 2025, o índice de reciclagem mecânica de embalagens plásticas pós-consumo alcançou 24,4% em 2024. Já o índice geral de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo no país chegou a 21%.
Em 2024, a produção de resina plástica reciclada pós-consumo (PCR) cresceu 7,8% em relação ao ano anterior, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas produzidas no país. Desde o início da mensuração dos indicadores, em 2018, o crescimento acumulado da produção de PCR chega a 33,6%.
“O Brasil vem avançando de forma consistente na reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo, e isso mostra que a economia circular já é uma realidade em diferentes segmentos industriais. Hoje, vemos o plástico reciclado presente em aplicações de alto valor agregado, da construção civil ao setor têxtil e automotivo. Mais do que coletar resíduos, estamos falando de reinserir materiais na indústria, gerar emprego, renda e reduzir o desperdício de recursos”, afirma Paulo Teixeira, presidente-executivo da ABIPLAST.
“Os resultados recentes demonstram a capacidade de recuperação e crescimento do setor, mas também reforçam que ainda existe um potencial enorme para ampliar os índices de reciclagem no país. Para isso, é fundamental fortalecer toda a estrutura, desde o descarte correto pela população até investimentos em coleta seletiva, triagem, infraestrutura e inovação industrial”, acrescenta Paulo.
Setores que utilizam plástico
O plástico reciclado já está presente em diferentes segmentos da economia e integra aplicações cada vez mais sofisticadas. Um exemplo são os decks utilizados em áreas externas de bares e restaurantes, frequentemente produzidos com madeira plástica. O material também compõe fibras de poliéster usadas na fabricação de camisetas e peças do vestuário desenvolvidas a partir de PET reciclado.
Na construção civil, o plástico reciclado é utilizado em tubos para sistemas de esgoto, revestimentos de fachadas e acabamentos arquitetônicos. Produtos desenvolvidos pela Indústria Santa Luzia, frequentemente presentes em ambientes da CASACOR, ajudam a evidenciar o potencial estético e funcional desses materiais. Na indústria automotiva, os plásticos reciclados são utilizados em tapetes, forrações internas e diferentes componentes dos veículos.
O caminho para que o plástico retorne à indústria envolve diferentes etapas. Após o descarte correto feito pelos consumidores, os resíduos seguem para a coleta seletiva ou para pontos de entrega voluntária (PEVs). Em seguida, chegam às cooperativas, onde passam por triagem e separação conforme o tipo de material. Depois, são encaminhados às recicladoras, responsáveis pelos processos de moagem, lavagem, secagem e transformação do plástico em pellets, a resina reciclada que volta a ser utilizada como matéria-prima na fabricação de novos produtos.
“O plástico reciclado carrega uma cadeia extensa de transformação, tecnologia e geração de valor. Quando o resíduo retorna como matéria-prima, ele deixa de ser apenas um descarte e passa a ser um insumo estratégico para diferentes indústrias”, reforça o presidente-executivo da Associação.
Circularidade
Além dos avanços já observados, a indústria trabalha com metas claras de ampliação da circularidade e aumento do reaproveitamento de resíduos nos próximos anos. Para a ABIPLAST, dar visibilidade à economia circular é parte fundamental desse processo. Ao reconhecer no dia a dia produtos feitos com material reciclado, a população passa a compreender que a reciclagem não termina na coleta seletiva, mas na transformação do resíduo em um novo ciclo produtivo.
“A reciclagem só se completa quando o material retorna efetivamente ao mercado como um novo produto. Dar visibilidade a esse ciclo é essencial para que a sociedade compreenda que embalagens e produtos plásticos possuem valor econômico e podem continuar circulando dentro da indústria”, conclui Paulo Teixeira.
