ENTREVISTA COM JULIANA SEIDEL DA AMCOR: REPRESENTATIVIDADE FEMININA E AGENDA ASG NO SETOR DE PLÁSTICO E EMBALAGENS

    08/03/2023

    Para o dia 8 de março, data em que é comemorado internacionalmente o Dia da Mulher, a ABIPLAST teve a oportunidade de realizar uma entrevista com a Juliana Seidel, que ocupa hoje a posição de gerente sênior de sustentabilidade da AMCOR na área de Embalagens Flexíveis da América Latina.

    Juliana nos contou um pouco sobre a sua formação acadêmica, trajetória e desafios, e apresentou a sua opinião sobre representatividade feminina no ambiente corporativo, na área de sustentabilidade e em cargos de liderança.

    Confira:

    Carreira

    Juliana, pode nos contar primeiro sobre sua trajetória profissional (sua formação, caso haja especialização, intercâmbio, etc) e como ela se deu?

    Olá a todos! Primeiramente muito obrigada pelo convite para compartilhar um pouco da minha trajetória com seus leitores.
    Sou Engenharia Química formada pela Unicamp que desde o primeiro estágio na Tetra Pak se encantou com os temas ambientais. Assim procurei sempre me desenvolver nessa área aliando a parte profissional com o desenvolvimento acadêmico. Para isso fiz um Mestrado em Tecnologia Ambiental, uma especialização em Gestão Empresarial e depois um Doutorado em Ambiente e Sociedade onde os temas técnicos são influenciados pela vida em sociedade. Ao longo da minha experiência na Tetra Pak tive a oportunidade de trabalhar na Suécia e na Bélgica conhecendo diversas culturas e experiências e também entendendo como as sociedades avançam na questão ambiental. Depois pude passar por uma experiência no Aché Laboratórios Farmacêuticos e desde 2019 estou na Amcor trabalhando os temas de Sustentabilidade junto ao negócio de embalagens flexíveis na América Latina.

    Diante dessa trajetória e ocupando hoje um cargo de gerente sênior, é possível pontuar dificuldades e/ou resistências que enfrentou ao longo desse caminho?

    Como trabalho na área ambiental, que hoje recebe o nome de Sustentabilidade em alguns casos e que também faz parte da agenda ESG – environment, social and governance – desde o início da minha carreira, algumas dificuldades estavam alinhadas com a necessidade de mostrar que as ações necessárias não era somente para atender uma obrigação legal, mas sim poderiam ser um diferencial do negócio. As ações de Sustentabilidade não são de curto prazo, então apresentar as necessidades do presente com resultados que virão somente no longo prazo requerem resiliência e muita persistência para avançar.

    Hoje, como você vê o seu momento profissional? Possui algum desafio ou projeto, objetivo, que gostaria de alcançar?

    Esse meu momento profissional tem sido muito rico por poder auxiliar toda uma organização em desenvolver soluções mais sustentáveis de embalagens. Isso passa tanto por disseminar interna e externamente os conceitos de Sustentabilidade, como isso se traduz para uma indústria convertedora de embalagens, como afeta tanto o negócio dos nossos clientes quanto necessita do engajamento dos nossos fornecedores e como muitos dos desafios não serão resolvidos por uma única organização, mas sim por um movimento de todo o setor na mesma direção. Ter a claridade dessa dimensão e conseguir traduzir em ações executáveis no curto prazo tem sido um grande aprendizado.

    Setor

    Como você vê a presença feminina no setor? As mulheres já ocupam cargos de liderança?

    A presença feminina tem conquistado seu espaço ao longo do tempo em todos os setores, ainda mais em períodos e temas em que uma visão holística que identifica as diferentes interações é necessária. Ainda não é uma representação fiel da diversidade, mas temos visto avanços e várias mulheres em cargos de liderança do setor de plástico.

    Agenda corporativa

    Considerando os critérios ESG, principalmente o “S”, como vê avanços nesse sentido nas agendas internas corporativas (por exemplo: igualdade nos salários entre os gêneros, presença das mulheres em cargos de tomada de decisão, reconhecimento, qualificação, entre outros)?

    As agendas corporativas não devem ser guiadas por diferentes nomes, mas sim por propósitos claros de trabalhar com todas as suas áreas de interferência incluindo os temas sociais, ambientais, de governança junto a sua entrega financeira. Estabelecer métricas de acompanhamento e ações de mudança são formas efetivas de mudar o status quo e isso é o que temos observado nos últimos anos. Ainda há muito espaço para avanços, mas mostrar os desafios é uma forma de iniciar a mudança também.

    Na sua opinião, o que ainda precisa ser feito para avançar nessa pauta do aumento da representatividade feminina nas empresas e, principalmente, em cargos de liderança e tomadas de decisão? Como você acha que as empresas podem atrair mais mulheres?

    A representatividade feminina vai alcançar ainda mais espaço à medida em que temos mais representatividade em todas as etapas necessárias até chegar aos cargos de liderança e tomadas de decisão. Assim a escolha, no futuro, será natural de acordo com as capacidades de cada indivíduo. Até esse momento, é necessário desmitificar que há espaços definidos e buscar sim a diversificação, um ambiente de abertura e de segurança para cada um se expressar e contribuir da melhor forma. É um exercício diário em todos os ambientes.

    E na AMCOR, poderia citar exemplos de algumas iniciativas nesse sentido?

    A agenda de diversidade e inclusão também está presente na Amcor. Além de acompanhar as métricas e assumir compromissos, um grande exemplo tem sido a preparação de toda a liderança em seus diferentes níveis dos desafios de trabalhar inclusão e diversidade, como a importância de identificar seus próprios privilégios e seus viés nas tomadas de decisão e entender as diferentes oportunidades que precisam ser abertas para ter um ambiente mais diverso e inclusivo.

    Você acredita que a área de sustentabilidade das empresas e organizações possui maior abertura às mulheres em comparação a outras áreas ou não necessariamente?

    Acredito que as áreas de sustentabilidade requerem um olhar holístico e atividades com resultados de longo prazo, com muita resiliência e persistência, mas alinhadas a muito propósito e por essa forma acabam tendo muitas mulheres atuando, mas aqui também a diversidade pode e deve ser aplicada.

    Mulheres sofrem constantemente a pressão para conseguir conciliar a vida profissional com a vida pessoal. Pode nos contar um pouco sobre esse tema no seu caso e se teria alguma(s) dica(s) para mulheres que sentem essa pressão vindo dos demais?

    Na minha opinião, conciliar a vida profissional com a vida pessoal é um desafio para qualquer indivíduo e não exclusivo das mulheres. Para qualquer caso, o mais importante é entender o que faz sentido para você em cada momento de sua vida e então traçar seus objetivos e executar suas atividades nessa direção, contando com redes de apoio que irão te apoiar ao longo dessa jornada. Em alguns momentos essa rede de apoio será de mentores, chefes, colegas de trabalho que te auxiliarão no desenvolvimento profissional; professores, colegas e orientadores para o seu desenvolvimento acadêmico ou sua família, escola, amigos para o seu desenvolvimento pessoal. Meu principal conselho é ter claro que é uma jornada e que nunca estamos sozinhos.

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