Com 409 mil empregos no Brasil, indústria do plástico aponta pressão de produtos importados

    13/10/2026

    Setor produziu 7,56 milhões de toneladas em 2025 e reúne quase 15 mil empresas; reciclagem pós-consumo alcançou 1,064 milhão de toneladas, segundo o Perfil ABIPLAST 2026

    São Paulo, 13 de outubro de 2026 – A indústria brasileira de transformação e reciclagem de plástico reúne 14.857 empresas e gera 409,4 mil empregos diretos, consolidando-se como o quarto maior empregador da indústria de transformação nacional. Apesar de sua relevância econômica, o setor enfrenta desafios de competitividade em um cenário de avanço das importações e pressão sobre a produção doméstica. Os dados fazem parte do Perfil ABIPLAST 2026, estudo da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), que reúne indicadores econômicos, produtivos e de circularidade da cadeia do plástico no país.

    Em 2025, a indústria brasileira produziu 7,56 milhões de toneladas de transformados plásticos, crescimento de 1,3% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o consumo aparente alcançou 8,28 milhões de toneladas, com expansão de 1,6%, impulsionada pelo crescimento de 20% das importações em volume. A diferença entre o desempenho da produção nacional e o avanço dos produtos importados evidencia os desafios enfrentados pela indústria brasileira para ampliar sua participação no mercado doméstico.

    A dimensão econômica do setor também se reflete em sua presença nas principais cadeias produtivas. A indústria de transformação e reciclagem de plástico responde por 2,6% do PIB industrial brasileiro e ocupa a quinta posição em participação no valor adicionado industrial.

    O material abastece segmentos como construção civil, alimentos, bebidas, saúde, indústria automotiva, agricultura, saneamento e tecnologia. Segundo o levantamento, 64,7% do valor consumido de transformados plásticos no país está relacionado a aplicações de ciclo médio e longo. Somente a construção civil responde por 28% do consumo, seguida por alimentos, com 19%, automóveis e autopeças, com 7,2%, e máquinas e equipamentos, com 5,3%.

    “O Brasil tem uma indústria do plástico robusta, estratégica e com capacidade de impulsionar o desenvolvimento econômico do país. No entanto, o avanço das importações em um ritmo muito superior ao da produção nacional acende um sinal de alerta para a competitividade do setor. Não podemos permitir que o crescimento do consumo brasileiro seja atendido cada vez mais pela produção estrangeira, enquanto nossas empresas enfrentam dificuldades para competir. É fundamental avançarmos em uma agenda de política industrial que estimule investimentos, fortaleça a produção nacional e preserve empregos, garantindo condições para que a indústria brasileira continue gerando riqueza e desenvolvimento”, afirma José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Conselho da ABIPLAST.

    Reciclagem de plástico supera 1 milhão de toneladas

    A circularidade também ganha dimensão industrial no país. Em 2025, a produção brasileira de resinas plásticas recicladas pós-consumo (PCR) alcançou 1,064 milhão de toneladas, segundo o Perfil ABIPLAST 2026. O setor conta com 1.834 empresas recicladoras, responsáveis por 17.056 empregos diretos, e dispõe de capacidade instalada de 2,39 milhões de toneladas para reciclagem.

    Os dados mostram a importância das embalagens para a cadeia de recuperação de materiais. Do volume de resíduos plásticos pós-consumo utilizado pela indústria recicladora em 2025, 69% tiveram origem em embalagens, enquanto 22% vieram de aplicações industriais, 2% de descartáveis e 7% de outras origens.

    O material reciclado retorna a diferentes cadeias produtivas. Entre os principais destinos das resinas PCR comercializadas estão alimentos e bebidas, higiene pessoal, cosméticos e limpeza doméstica, construção civil e infraestrutura, agroindústria, utilidades domésticas, indústria automotiva e setor têxtil.

    Embora a reciclagem já opere em escala industrial, a diferença entre a capacidade instalada e o volume efetivamente produzido evidencia o potencial de expansão da atividade. Entre os desafios estão a ampliação da coleta e triagem, a qualidade dos resíduos disponíveis, a rastreabilidade e a criação de condições econômicas que favoreçam a utilização de matéria-prima reciclada.

    “O Brasil já possui uma indústria de reciclagem estruturada, capaz de transformar resíduos em matéria-prima e abastecer diferentes setores da economia. O próximo passo é fortalecer as condições para que essa cadeia avance, com investimentos, segurança jurídica, maior disponibilidade de materiais e competitividade para a resina reciclada”, destaca Paulo Henrique Rangel Teixeira, presidente-executivo da ABIPLAST.

    Indústria prevê R$ 67,4 bilhões em investimentos até 2030

    Apesar dos desafios, a indústria brasileira de transformação e reciclagem de plástico prevê investimentos acumulados de R$ 67,4 bilhões até 2030, o equivalente a uma média de aproximadamente R$ 13,5 bilhões por ano.

    Os recursos previstos contemplam a ampliação e modernização do parque industrial, o desenvolvimento de novos materiais, a produção de embalagens mais sustentáveis, o fortalecimento da logística reversa e o avanço de tecnologias de reciclagem mecânica e química.

    O movimento ocorre em um momento de transformação regulatória. O Decreto nº 12.688/2025 estabeleceu novas metas para a circularidade das embalagens plásticas, incluindo, para o ano-base de 2026, a recuperação de 32% das embalagens e a incorporação de 22% de conteúdo reciclado pós-consumo em novas embalagens, conforme as regras aplicáveis.

    Para a ABIPLAST, a ampliação da circularidade precisa caminhar junto com o fortalecimento da indústria nacional, de forma a estimular investimentos, inovação e maior aproveitamento dos materiais reciclados.

    “Competitividade e sustentabilidade precisam avançar juntas. O país tem condições de ampliar sua capacidade industrial e fortalecer a economia circular, mas isso depende de um ambiente de negócios que estimule investimentos, inovação, modernização tecnológica e segurança regulatória”, conclui o presidente-executivo da entidade.

    Sobre o Perfil ABIPLAST 2026

    O Perfil ABIPLAST 2026 reúne indicadores sobre a indústria brasileira de transformação e reciclagem de plástico, incluindo produção, empregos, empresas, comércio exterior, investimentos, mercados consumidores e circularidade. Elaborado anualmente pela ABIPLAST, o estudo oferece um panorama da dimensão econômica e socioambiental do setor e contribui para o debate sobre competitividade, inovação e desenvolvimento industrial no Brasil.

    A publicação conta com o patrocínio ouro da Valgroup; com o patrocínio prata de ADS Tigre, Cimflex, Copaza Embalagens Plásticas, HellermannTyton, Kanaflex, Karina, Newsul, Sansuy, Sinplast RS, Tarkett e Unipac; e com o patrocínio bronze dos sindicatos estaduais:  Sindiplast-SP, Simplast-MG, Simpep-PR, Simpepe-PE, Simplago-GO e Simplás Nordeste Gaúcho.

    Sobre a ABIPLAST

    A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) representa, desde 1967, o setor de transformados plásticos e de reciclagem no Brasil, atuando para ampliar sua competitividade. A entidade promove novas tecnologias, processos, pesquisas e produtos com foco na sustentabilidade, tendo a economia circular como prioridade estratégica. Atualmente, a ABIPLAST representa um universo de mais de 14,9 mil empresas de transformação e reciclagem de plásticos, que juntas empregam 409,4 mil profissionais em todo o país.

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