Avanço da reciclagem de embalagens reforça atuação do Recircula Brasil na nova etapa da economia circular

    05/10/2026

    Índice de recuperação de embalagens plásticas chega a 31,4% e aproxima setor das metas de logística reversa; plataforma amplia rastreabilidade e comprovação da circularidade

    O avanço da recuperação e da reciclagem de embalagens plásticas no Brasil coloca a cadeia diante de um novo desafio: além de aumentar o volume de resíduos que retornam ao ciclo produtivo, será cada vez mais importante comprovar a origem, o processamento e a destinação desses materiais. Com isso, o Recircula Brasil reforça a sua relevância como ferramenta de rastreabilidade e transparência para acompanhar a evolução da economia circular do plástico no país.

    Em 2025, o índice de recuperação de plásticos pós-consumo chegou a 25,3%, enquanto, entre as embalagens, atingiu 31,4%, patamar que se aproxima das metas de logística reversa estabelecidas pelo Decreto nº 12.688/2025. Os números mostram que uma parcela crescente dos resíduos plásticos gerados no país está chegando à indústria recicladora e evidenciam o potencial de expansão da circularidade das embalagens.

    Os dados fazem parte do estudo anual Monitoramento dos Índices de Reciclagem Mecânica de Plásticos Pós-consumo no Brasil 2026 (ano-base 2025), encomendado pelo Movimento Plástico Transforma, , iniciativa da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) e da Braskem, e realizado pela consultoria MaxiQuim.

    O levantamento mostra que o Brasil gerou cerca de 5 milhões de toneladas de resíduos plásticos em 2025, das quais 1,27 milhão de toneladas foram efetivamente consumidas pela indústria recicladora. A produção de resina reciclada pós-consumo (PCR) cresceu 5,1% e alcançou 1,064 milhão de toneladas, superando a marca de 1 milhão de toneladas.

    As embalagens são determinantes nesse desempenho. Elas responderam por 69% do volume de resíduos consumidos pela indústria recicladora, sendo 49,4% referentes às embalagens rígidas e 19,7% às flexíveis. Considerando plásticos de embalagens e produtos equiparáveis às embalagens plásticas, conforme a nomenclatura adotada pelo Decreto nº 12.688/2025, o índice de reciclagem mecânica chegou a 24,2%.

    A evolução dos indicadores ocorre em paralelo a uma transformação regulatória da cadeia. Com as novas metas de logística reversa e de inserção de conteúdo reciclado em novas embalagens, cresce a necessidade de demonstrar não apenas que determinado volume de embalagens foi recuperado, mas também que o material efetivamente percorreu a cadeia de reciclagem e retornou ao mercado como matéria-prima reciclada utilizada em novos produtos, contexto em que se insere o Recircula Brasil, iniciativa da ABIPLAST em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A plataforma foi desenvolvida para proporcionar rastreabilidade à cadeia do plástico reciclado, conectando e verificando informações das diferentes etapas do processo e permitindo comprovar a circularidade do plástico, por terceira parte.

    Na prática, a rastreabilidade lastreia o avanço físico da reciclagem. Enquanto indicadores como os 31,4% de recuperação das embalagens demonstram quanto desse material está chegando novamente à cadeia produtiva, ferramentas como o Recircula Brasil contribuem para que empresas e demais agentes possam comprovar esse fluxo com maior transparência e segurança.

    “O crescimento da recuperação das embalagens mostra que a cadeia está avançando e que temos uma base concreta para ampliar a circularidade dos plásticos no Brasil. Mas aumentar os índices é apenas uma parte desse processo. Precisamos garantir que esses materiais possam ser rastreados ao longo da cadeia e que a recuperação e o uso de conteúdo reciclado sejam efetivamente comprovados. O Recircula Brasil ajuda a transformar o avanço da reciclagem em informações verificáveis, dando mais segurança às empresas e contribuindo para o cumprimento das metas de logística reversa”, afirma o Paulo Teixeira, presidente executivo da ABIPLAST.

    Essa capacidade ganha importância porque o desafio brasileiro não está apenas na existência de capacidade industrial para reciclar. Mesmo com a recuperação observada em 2025, a indústria ainda apresenta níveis relevantes de ociosidade. Para ampliar a produção, é necessário aumentar a disponibilidade de resíduos com qualidade e regularidade, melhorar coleta e triagem e fortalecer a integração entre os diferentes agentes.

    O perfil de abastecimento das recicladoras mostra o tamanho desse desafio. O comércio de resíduos, principalmente sucateiros, respondeu por 37% do volume adquirido pela indústria em 2025. As cooperativas representaram 9% e os catadores, menos de 1%. Já as empresas de gestão de resíduos, que incluem operações relacionadas à logística reversa, alcançaram 10% do fornecimento e apresentaram crescimento acima da média.

    A expectativa é que a participação desse elo aumente com a implementação das novas regras. Quanto maior a exigência de comprovação da logística reversa e do conteúdo reciclado, maior também será a necessidade de integrar informações sobre coleta, comercialização, reciclagem e utilização da matéria-prima secundária.

    A recuperação da reciclagem mecânica já se reflete em dados econômicos. O setor encerrou 2025 com 21.013 empregos diretos, alta de 4,9% e maior número da série histórica iniciada em 2018. O faturamento bruto nominal chegou a R$ 4,2 bilhões, crescimento de 5,3% sobre 2024.

    Sobre a ABIPLAST

    A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) representa, desde 1967, o setor de transformados plásticos e de reciclagem no Brasil, atuando para ampliar sua competitividade. A entidade promove novas tecnologias, processos, pesquisas e produtos com foco na sustentabilidade, tendo a economia circular como prioridade estratégica. Atualmente, a ABIPLAST representa um universo de mais de 14,9 mil empresas de transformação e reciclagem de plásticos, que juntas empregam 409,4 mil profissionais em todo o país.

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