05/10/2026
Webinar promovido pela ABIPLAST e pelo Think Plastic Brazil discutiu novas exigências internacionais sobre as exportações brasileiras
A entrada em aplicação do novo Regulamento Europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR, na sigla em inglês) amplia a necessidade de preparação das empresas brasileiras que exportam produtos e embalagens para a União Europeia. O tema foi debatido em webinar promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) e pelo Think Plastic Brazil, com a participação de especialistas do setor e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Em sua participação, Leandro Santos Teixeira, da Divisão de Acesso a Mercados do Ministério das Relações Exteriores, destacou que a preocupação do governo brasileiro vai além do cumprimento das novas regras e envolve o efetivo acesso das empresas nacionais aos mercados internacionais.
“A nossa preocupação diz respeito ao efetivo acesso ao mercado, seja o europeu, o japonês, o americano ou qualquer outro mercado, e ao impacto para o setor”, afirmou Teixeira.
Segundo o representante do MRE, as mudanças envolvendo plásticos, reciclagem e sustentabilidade fazem parte de movimento internacional amplo que envolve aspectos comerciais e ambientais.
Nesse cenário, uma das questões centrais é entender como as empresas brasileiras conseguirão se adaptar às novas exigências regulatórias e quais serão os impactos dessa transformação sobre a cadeia produtiva nacional, ressaltou o diplomata.
Teixeira estimou ser “necessário realizar mapeamento pragmático do que essa adaptação produtiva significaria, na prática, para as empresas”.
Além das questões regulatórias, chamou ainda a atenção para desafios tecnológicos e de captação de investimentos para que a indústria logre atender às novas demandas internacionais de mercado.
De acordo com Carlos Moreira, diretor-executivo do Instituto Nacional do Plástico e do Think Plastic Brazil, o setor está entrando em uma etapa em que o desafio já não é apenas entender o que é o PPWR, mas saber como atender às novas exigências na prática. “Para as empresas brasileiras, isso significa estar preparadas para comprovar a conformidade, a rastreabilidade e a reciclabilidade de suas embalagens. O papel do Think Plastic Brazil é justamente apoiar o setor nessa transição, transformando uma exigência internacional em oportunidade de competitividade e acesso ao mercado europeu”, diz.
O PPWR passou a ser aplicável na União Europeia em 12 de agosto de 2026 e prevê a implementação progressiva de uma série de requisitos para embalagens. Entre os pontos discutidos no webinar estiveram conformidade técnica, rastreabilidade, substâncias preocupantes e, em etapas posteriores, reciclabilidade, conteúdo reciclado, redução de peso e volume e reutilização.
Nesse processo, o Recircula Brasil foi apresentado como uma ferramenta que pode contribuir para a preparação das empresas brasileiras. A plataforma realiza a rastreabilidade de resíduos e a certificação de conteúdo reciclado, utilizando informações da cadeia produtiva, balanço de massa e verificação independente para gerar dados auditáveis. Segundo a apresentação da ABIPLAST, o sistema já reúne mais de 45 empresas usuárias, mais de 1.200 agentes da cadeia mapeados e mais de 56 mil toneladas de materiais plásticos rastreados.
A importância do Recircula Brasil diante das novas regras europeias está justamente na convergência entre mecanismos que já fazem parte da plataforma e exigências relacionadas à rastreabilidade e à comprovação do uso de conteúdo reciclado. A ferramenta permite acompanhar o material desde sua origem até sua utilização em produtos, com informações verificadas por terceira parte e emissão de certificado de rastreabilidade.
“Uma vez a empresa estando no Recircula Brasil, ela já tem essa rastreabilidade comprovada e garantida da sua cadeia com certificação”, afirmou Geórgia Albertoni, da ABIPLAST, durante o webinar. Segundo ela, a existência dessa estrutura permite que as empresas brasileiras avancem na preparação para as exigências internacionais sem precisar construir todo o processo de rastreabilidade do zero.
O presidente-executivo da ABIPLAST, Paulo Teixeira, ressaltou que a adequação às novas exigências também pode representar uma oportunidade para a indústria brasileira. Segundo ele, ferramentas de rastreabilidade acessíveis às pequenas e médias empresas, como o Recircula Brasil, podem contribuir para dar segurança e ampliar a competitividade do setor.
O encontro também reforçou que a preparação para o PPWR deve envolver o levantamento das embalagens utilizadas pelas empresas, a identificação dos materiais e componentes, a organização das informações dos fornecedores e a manutenção das evidências técnicas necessárias para comprovar a conformidade.
O webinar reuniu um grande número de empresas do setor produtivo, além de representantes de ministérios e outros órgãos de governo, associações setoriais e sindicatos da indústria. A diversidade do público reforçou a importância do diálogo entre o setor produtivo e o poder público para a preparação das empresas brasileiras diante das novas exigências do mercado europeu.
