Cientistas da USP criam filme plástico que elimina bactérias dos alimentos

    06/09/2016

    Cientistas da USP criam filme plástico que elimina bactérias dos alimentos

    Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram um filme plástico com efeito bactericida que aumenta a vida útil dos alimentos que nele forem embalados.

    Isso foi possível porque os pesquisadores do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) desenvolveram o produto com nanopartículas de prata que demonstraram serem eficazes na eliminação de bactérias causadoras de infecções em seres humanos, sem serem tóxicas.

    A pesquisa utilizou o polipropileno, um tipo de plástico de valor relativamente baixo, o que favorece sua utilização nos filmes. A colocação das nanopartículas foi feita em uma máquina específica para isso.

    As nanopartículas interagem com componentes celulares vitais, como o DNA, impedindo a divisão celular e consequente morte da bactéria. Já a ação bactericida das nanopartículas de prata acontece no contato direto com os microorganismos, afirma o pesquisador Washington Oliani, que realizou o estudo no Laboratório de Polímeros do Centro de Química e Meio Ambiente do Ipen.

    “O polipropileno, a prata e outros componentes, no formato de grãos, são inseridos em uma máquina extrusora, aparelho que faz a fusão dessas substâncias por meio de aquecimento. A partir desse processo é obtido um material em forma de fios finos”, relata Oliani.

    Efeito bactericida

    O efeito bactericida dos filmes com nanopartículas de prata foi comprovado em testes realizados no Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Inicialmente, o material foi colocado em contato direto com culturas das bactérias Escherichia coli, que pode causar diarreia, e Staphylococcus aureus, que pode causar diversos tipos de complicações infecciosas, como uma infecção urinária.

    “Após ajustes na formulação, foi possível eliminar quase 100% de Staphylococcus”, diz Oliani. Experimentos posteriores com a bactéria Pseudomonas aeruginosa, que afeta os aparelhos respiratórios e urinário, também tiveram eficiência próxima de 100%.

    “Com o efeito bactericida das nanopartículas seria possível aumentar a vida útil dos produtos embalados, especialmente os de origem orgânica”, afirma Oliani.

    Outro possível emprego do material está na área hospitalar. “Futuramente, os filmes poderão ser colocados em divisórias e janelas de hospitais, além de serem utilizados em materiais cirúrgicos, como cateteres”, diz Duclerc Fernandes Parra, orientadora do projeto. (Com a Agência USP de Notícias).

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