11/11/2025
É a primeira vez que a Conferência adota um projeto voltado à coleta, triagem e destinação de resíduos
Pela primeira vez na história das Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), um projeto estruturado para gestão de resíduos será implantado durante o evento. A ação será conduzida pela Rede Pela Circularidade do Plástico, iniciativa criada pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), em parceria com a cooperativa YouGreen, responsável pela operação da gestão de resíduos na Green Zone da COP30, que reunirá cerca de 20 mil pessoas por dia.
AClean COP, é um projeto da Rede pela Circularidade do Plástico em parceria com a YouGreen, e visa demonstrar na prática que é possível realizar uma COP limpa, implementando um modelo de gestão com rastreabilidade, inclusão social e circularidade efetiva.
A Clean COP marca um avanço inédito ao integrar toda a gestão de coleta, triagem, separação e destinação de materiais plásticos recicláveis gerados no período pré e pós-evento. A coleta já começou, contemplando resíduos provenientes da montagem de estandes e da infraestrutura, incluindo plásticos filmes e embalagens de alimentos utilizadas pelas equipes. O trabalho continuará após o fim da Conferência, com a desmontagem das estruturas e a destinação final dos materiais, garantindo que todo o processo seja acompanhado por indicadores ambientais como volume total de materiais coletados, o tipo de plástico e destino final, a redução nas emissões de CO² associadas à reciclagem e os impactos sociais gerados, como número de empregos temporários criados e sociedade mobilizada.
“Ter a Rede Pela Circularidade do Plástico presente na COP30 é um marco para a indústria e para o país. Essa iniciativa representa o compromisso do setor com uma economia circular efetiva, que une responsabilidade ambiental, inovação e inclusão social. O Brasil tem condições de ser referência mundial em circularidade, e essa ação conjunta com a YouGreen demonstra que estamos no caminho certo”, afirma Paulo Teixeira, presidente-executivo da ABIPLAST.
“A curadoria desse projeto foi construída coletivamente pela REDE e pela YouGreen, valorizando o trabalho das cooperativas e a rastreabilidade dos materiais. Queremos mostrar na prática como é possível garantir circularidade e gerar impacto social positivo, com métricas e resultados concretos”, explica Juliana Seidel líder do Eixo de Design de Embalagens e Porta voz da Rede pela Circularidade do Plástico.
YouGreen promove workshop sobre emergência climática e circularidade durante a COP30
Durante a COP30, a YouGreen realizará, no dia 12 de novembro, um workshop que reunirá parceiros, especialistas e representantes da comunidade para debater a emergência climática sob a perspectiva da circularidade. O encontro será um espaço dedicado à troca de experiências, à construção colaborativa de soluções e ao fortalecimento do compromisso coletivo com uma Economia Circular Inclusiva.
Pela primeira vez, a Economia Circular ganha destaque na programação oficial de uma conferência do clima. O tema estará presente nos dias 10 e 11 de novembro, tanto na Green Zone quanto na Blue Zone, reforçando sua relevância como um dos principais caminhos para a transição rumo a um futuro de baixo carbono.
Conectado a essas discussões, o workshop da YouGreen propõe ainda integrar os principais aprendizados e perspectivas trazidos nos primeiros dias da conferência, ampliando o diálogo sobre inovação, inclusão social e sustentabilidade dentro da agenda global da COP30.
O evento conta com a participação de nomes de destaque da área ambiental, jurídica e industrial:
- Fabrício Soler, conselheiro do Pacto Global da ONU no Brasil — Bastidores da COP30 e Decreto sobre Embalagens Plásticas
- Sissi Alves, coordenadora-geral de Bioeconomia e Economia Circular no MDIC — Bastidores da COP30
- Roger Koeppl, fundador da YouGreen Cooperativa — Na prática com a YouGreen
- Paulo Teixeira, presidente-executivo da ABIPLAST — Panorama da circularidade e da indústria do plástico
“Entendemos que é um momento ideal para apresentar ao mundo a escolha do nosso país de entender a Gestão de Resíduos como um tema social, para além do ambiental e econômico, por meio de uma Política Nacional. Essa decisão está presente em leis, projetos e ações do setor público e privado e é de alta relevância que outros países entendam o impacto enorme que podemos gerar com uma Economia Circular Inclusiva. Uma cooperativa de catadores responsável pela gestão de resíduos de eventos oficiais da COP30 demonstra como essa decisão foi acertada. As cooperativas de catadores estão se profissionalizando e apresentando capacidade de atender o mercado com eficiência”, destaca Roger Koeppl, fundador da YouGreen Cooperativa.
“A cultura de cooperação está no cerne do modelo de negócio da YouGreen e das cooperativas de catadores. E o setor privado tem sido fundamental nessa agenda, atuando como financiadores, facilitadores e apoiadores da Economia Circular. A Rede Pela Circularidade do Plástico é um exemplo de como a união de todos os stakeholders gera resultado prático. O problema é complexo e exige diferentes perspectivas, e temos conseguido isso em uma parceria de longo prazo com a Rede e seus membros”, complementa Koeppl.
Atuação da Rede Pela Circularidade do Plástico
Criada em 2018 pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), a Rede Pela Circularidade do Plástico completa sete anos de atuação em 2025. A iniciativa reúne mais de 60 organizações que representam todos os elos da cadeia do plástico, de petroquímicas a recicladores, passando por indústrias de bens de consumo, varejistas, cooperativas e gestores de resíduos.
Sua atuação se estrutura em cinco eixos principais:
- Design de embalagens, com foco em sugerir padrões e soluções para uma embalagem adequada;
- Logística e infraestrutura, com modelos de coleta e transporte adaptados às realidades locais;
- Políticas públicas, para ampliar os incentivos à reciclagem e apoiar projetos em prol da Educação Ambiental.;
- Comunicação, voltada à disseminação de conhecimento técnico e boas práticas e alinhar a comunicação entre os membros;
- Governança, estabelecer a governança e definir questões de compliance na REDE.
Ao longo de sua trajetória, a REDE entregou à sociedade diversos projetos de referência, como o RETORNA 2.0, ferramenta online gratuita que avalia o índice de reciclabilidade de embalagens plásticas, baseada em regras técnicas e de mercado. A plataforma registrou 1.200 análises, com a participação de mais de 300 usuários cadastrados, entre empresas, designers, engenheiros, técnicos ambientais e profissionais da indústria de embalagens.
Outros destaques incluem o Circularize, que aproxima cooperativas e recicladoras por meio de um portal com guias técnicos para padronização da sucata plástica, e o Circula Flex, projeto de logística reversa para embalagens flexíveis, o projeto já envolveu 22 recicladores, dos quais 8 foram homologados, além de envolver 54 cooperativas e testou a reinserção de BOPP na cadeia produtiva em 2025.
Em nível municipal, a REDE também apoia iniciativas locais como o Recicla Guarujá, em vigor desde 2022, e o Recicla Praia Grande e Bertioga, lançado em 2024, que já contribuíram para a reciclagem de mais de 190 toneladas de plástico, com foco na capacitação de cooperativas e educação ambiental.
Com presença confirmada na COP30, a REDE amplia seu alcance e reforça sua atuação como articuladora nacional da economia circular do plástico, promovendo ações de impacto ambiental, econômico e social.
