29/06/2026
Evento reuniu 80 representantes da indústria de transformação, fornecedores de resinas e compostos, fabricantes de equipamentos e especialistas do setor
A ABIPLAST realizou um workshop dedicado ao mercado de rotomoldagem e reuniu cerca de 80 representantes da indústria de transformação, fornecedores de resinas e compostos, fabricantes de equipamentos e especialistas do setor para discutir inovação, desempenho de materiais, automação, desenvolvimento tecnológico e os desafios para ampliar a competitividade da rotomoldagem no Brasil.
A abertura do evento, na última quinta-feira (25 de junho), foi conduzida pelo presidente-executivo da ABIPLAST, Paulo Teixeira, que destacou a relevância da rotomoldagem para a cadeia produtiva do plástico e a importância da inovação para o fortalecimento do setor. “Muitas vezes ainda encontramos uma visão bastante limitada sobre a rotomoldagem, associada apenas a aplicações tradicionais, quando, na verdade, estamos falando de um processo extremamente versátil, com enorme potencial para inovação e desenvolvimento de novos mercados. Quem ainda enxerga a rotomoldagem de forma restrita deixa de perceber oportunidades importantes de crescimento, inovação e geração de valor”.
Teixeira ressaltou ainda que a proposta do encontro foi ampliar essa visão, promovendo a troca de experiências e conhecimentos entre empresas, fornecedores e especialistas. “A rotomoldagem possui um caminho muito promissor pela frente, especialmente em temas como inovação, desenvolvimento de materiais, ferramentas, design e, principalmente, circularidade”, concluiu.
O economista da ABIPLAST, Marcos Ferreira do Nascimento, apresentou um panorama do setor de transformados plásticos, reforçando que a indústria reúne cerca de 14 mil empresas e é responsável por gerar mais de 404 mil empregos diretos, posicionando-se como a quarta maior empregadora da indústria de transformação brasileira. “Nossa função é defender a indústria, demonstrar sua importância para o desenvolvimento econômico e criar condições para que as empresas possam crescer e investir. E isso só é possível com a participação ativa dos associados, das câmaras setoriais e de toda a cadeia produtiva. Quanto mais unidos estivermos, mais forte será a representação do setor e maiores serão as oportunidades de desenvolvimento para toda a indústria brasileira de transformados plásticos.”
Ele também destacou o avanço da economia circular. “Hoje, o Brasil recicla cerca de 1 milhão de toneladas de plástico pós-consumo por ano, alcançando índices comparáveis aos de países europeus. Além disso, aproximadamente 16% da produção nacional de resinas já tem origem circular, seja por meio de materiais reciclados ou de fontes renováveis. Também contamos com uma cadeia de reciclagem robusta, composta por quase 2 mil empresas e com capacidade instalada superior a 2,5 milhões de toneladas anuais. Esse cenário representa um importante diferencial para o desenvolvimento sustentável do setor e para a ampliação da circularidade dos materiais.”
Na sequência, o coordenador da Câmara Setorial dos Transformadores por Rotomoldagem da ABIPLAST, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, apresentou um panorama da atividade no Brasil. “A rotomoldagem brasileira evoluiu significativamente nas últimas décadas e hoje ocupa uma posição estratégica em diversos segmentos da economia, atendendo áreas como saneamento, infraestrutura, mobilidade, agronegócio e bens de consumo. Esse crescimento demonstra a capacidade do setor de inovar, desenvolver novos mercados e responder às demandas de uma sociedade cada vez mais exigente.”
Segundo Gonçalves, a Câmara Setorial foi criada justamente para representar os interesses do segmento, estimular o desenvolvimento técnico, incentivar a inovação e aproximar transformadores, fornecedores de matérias-primas e compostos, fabricantes de equipamentos, desenvolvedores de tecnologia e clientes.
“Este encontro marca uma nova etapa dessa trajetória. Os debates e conteúdos apresentados foram pensados para estimular reflexões sobre temas fundamentais para o futuro da indústria, como ganho de produtividade, novos materiais, automação, digitalização e circularidade. Nenhuma empresa será capaz de enfrentar sozinha os desafios que estão por vir. A força da rotomoldagem está na união do setor, na capacidade de compartilhar experiências e construir caminhos conjuntos para o crescimento sustentável da atividade”, afirmou.
Inovação, eficiência e competitividade no centro dos debates
Ao longo do dia, especialistas compartilharam experiências, tendências e soluções voltadas ao aprimoramento da rotomoldagem. A programação reuniu apresentações sobre evolução dos materiais, desenvolvimento de moldes, automação industrial, monitoramento de processos e novas tecnologias para aumento da produtividade.
Representando a Braskem, Eliomar Pimenta apresentou uma análise sobre a evolução dos requisitos técnicos da rotomoldagem e os desafios enfrentados pela indústria para atender às crescentes exigências de desempenho e qualidade. “A rotomoldagem vem passando por uma evolução constante, acompanhando as transformações observadas em toda a indústria. Assim como outras tecnologias evoluíram para atender a novas demandas, o processo de rotomoldagem também precisou ampliar suas capacidades para responder a requisitos cada vez mais elevados de desempenho, qualidade e confiabilidade. Essa transformação é impulsionada, sobretudo, pelas novas demandas do mercado.”
Na sequência, Gustavo Baldi de Carvalho, da Dow, abordou as características das resinas destinadas à rotomoldagem, destacando aspectos relacionados à durabilidade dos produtos e às possibilidades de design proporcionadas pela tecnologia. “Na Dow, desenvolvemos soluções pensando nas necessidades específicas de cada projeto. Não existe uma única resina capaz de atender a todas as aplicações. A escolha do material deve considerar fatores como geometria da peça, resistência mecânica, acabamento superficial, exposição às condições ambientais, vida útil esperada e eficiência produtiva. A rotomoldagem possui características únicas em relação aos demais processos de transformação de plásticos. Por não utilizar pressão durante a conformação da peça, permite fabricar componentes de grandes dimensões, com excelente uniformidade de espessura e baixa incidência de tensões residuais. Ao mesmo tempo, essa tecnologia exige rigoroso controle das propriedades da matéria-prima e da formulação dos aditivos para assegurar desempenho e durabilidade.”
A transformação digital também integrou a programação do evento. Ricardo Costa, da NODUS, apresentou a palestra “O Fim das Perdas Invisíveis na Rotomoldagem”, defendendo que a competitividade do setor passa por uma gestão orientada por dados. Segundo ele, embora a rotomoldagem tenha evoluído significativamente em máquinas, materiais e processos, muitas empresas ainda tomam decisões com base em planilhas, apontamentos manuais e estimativas, tornando invisíveis perdas que comprometem produtividade e rentabilidade. Ricardo também apresentou casos práticos que demonstram como o monitoramento em tempo real transforma dados em decisões mais rápidas e assertivas, reduz desperdícios, aumenta a previsibilidade e estabelece um novo padrão para a gestão da produção”.
No período da tarde, Daniel Teisseire, da Modelação Charles, abordou os avanços na fabricação de moldes para rotomoldagem e seus impactos na produtividade industrial. “A competitividade da rotomoldagem passa, cada vez mais, pela evolução dos projetos e da fabricação de moldes. Hoje, não basta apenas executar uma peça: é preciso desenvolver soluções que considerem design, eficiência produtiva, logística, desempenho e viabilidade de fabricação desde a fase de projeto. A modernização dos moldes reduz tempos de ciclo, melhora a transferência de calor, aumenta a qualidade das peças e eleva a eficiência energética. O futuro da rotomoldagem está na combinação entre conhecimento técnico, inovação e melhoria contínua.”
Jeferson Mariano, da PoliCastro, compartilhou aprendizados sobre a fabricação de moldes em aço carbono, destacando que engenharia, padronização, controle de qualidade e melhoria contínua são fatores decisivos para a competitividade do setor. Segundo ele, investimentos em checklists, reuniões técnicas, novos processos produtivos e capacitação reduziram retrabalhos e aumentaram a eficiência da empresa. Também chamou atenção para a escassez de mão de obra qualificada e defendeu parcerias com instituições como SENAI, Sebrae e SESI para preparar o setor para os desafios futuros.
Felipe de Oliveira Bellarmino, da Karina Plásticos, apresentou as oportunidades proporcionadas pelos compostos desenvolvidos para a rotomoldagem, destacando materiais micronizados, aditivos e formulações especiais voltados a aplicações nos segmentos de agronegócio, construção civil, automotivo, saneamento e logística. Segundo ele, o desenvolvimento conjunto entre fornecedores e transformadores é fundamental para ampliar a produtividade, garantir maior uniformidade das peças e atender às crescentes exigências do mercado.
Renato Lana, da LyondellBasell, apresentou a palestra “Especialidades na Rotomoldagem”, ressaltando que a qualidade das peças depende do controle integrado da matéria-prima, do molde, da máquina, do desmoldante e da operação. O especialista destacou a importância do monitoramento do pico térmico, da manutenção preventiva dos moldes e da escolha adequada das resinas para garantir maior desempenho, durabilidade e estabilidade do processo. Também defendeu o uso de compostos (compounds) em substituição às misturas secas (dry blend), por proporcionarem maior uniformidade, redução de retrabalho e mais confiabilidade na produção.
Ivan Abrahão Salgueiro, da RI Plásticos, apresentou a palestra “Compostos de Alta Performance para Rotomoldagem”, mostrando como materiais de maior desempenho estão ampliando as possibilidades da rotomoldagem em aplicações técnicas de alta exigência, especialmente nos setores agrícola, automotivo e de construção. Durante a apresentação, destacou as vantagens dos copolímeros octeno e dos polietilenos reticulados, que proporcionam maior resistência mecânica e aos raios UV, redução do tempo de ciclo, melhor acabamento superficial e possibilidade de diminuir o peso das peças sem comprometer o desempenho mecânico. Segundo Ivan, esses materiais ampliam a competitividade e agregam valor aos produtos rotomoldados.
Encerrando a programação, Antonio Carlos Pereira Filho, da Rotoline, apresentou uma visão sobre o futuro da rotomoldagem, abordando automação, digitalização e as principais tendências tecnológicas para os próximos anos. O especialista destacou a importância de ampliar a visibilidade da rotomoldagem, ainda considerada um dos processos de transformação de plásticos menos conhecidos, e defendeu que a divulgação do setor é fundamental para fortalecer toda a cadeia produtiva. Durante a apresentação, mostrou como a automação vem transformando a atividade e demonstrou que já é possível incorporar elevados níveis de tecnologia e controle aos equipamentos, aumentando a produtividade, a eficiência operacional e a competitividade da indústria.
O encontro reforçou o compromisso da ABIPLAST com a disseminação de conhecimento técnico, o incentivo à inovação e ao fortalecimento da competitividade da indústria de transformação do plástico. Ao reunir especialistas, empresas, fornecedores e lideranças em um ambiente dedicado ao compartilhamento de experiências e boas práticas, a iniciativa consolidou-se como um importante espaço para o desenvolvimento da rotomoldagem no Brasil e para a construção de soluções capazes de impulsionar o crescimento sustentável do setor.
