Setor de reciclagem mecânica de plásticos recupera produção, faturamento e empregos em 2025

    15/09/2026

    • Índice de recuperação de plásticos pós-consumo chegou a 25,3% em 2025; entre embalagens, o índice de recuperação atingiu 31,4%, patamar que se aproxima das metas de logística reversa do Decreto nº 12.688/2025.

    • Emprego direto no setor somou 21.013 vagas, o maior número da série histórica iniciada em 2018.

    • Produção de resina plástica reciclada pós-consumo (PCR) cresceu 5,1% em relação a 2024, totalizando 1,06 milhão de toneladas.

    São Paulo, setembro de 2026 – A indústria de reciclagem mecânica de plásticos no Brasil completou, em 2025, o segundo ano seguido de recuperação após o enfraquecimento registrado em 2023, período marcado pelo ciclo de baixa das resinas petroquímicas virgens, que reduziu a competitividade dos plásticos reciclados. Mesmo em um ambiente ainda desafiador nesse aspecto, o setor voltou a crescer. A produção de resina reciclada pós-consumo (PCR) alcançou 1,06 milhão de toneladas, o faturamento bruto nominal da indústria somou R$ 4,2 bilhões e o emprego direto atingiu mais de 21 mil vagas, o maior patamar de toda a série histórica do estudo, iniciada em 2018. Os dados são do estudo anual Monitoramento dos Índices de Reciclagem Mecânica de Plásticos Pós-consumo no Brasil 2026 (ano-base 2025), encomendado pelo Movimento Plástico Transforma, iniciativa do PICPlast, parceria entre a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) e a Braskem.

    Realizado pela consultoria MaxiQuim, o levantamento monitora os indicadores da reciclagem mecânica no país desde 2018. O estudo calcula os índices de reciclagem e de recuperação de plásticos pós-consumo. O índice de recuperação, que relaciona o volume de resíduo efetivamente consumido pela indústria recicladora à geração total de resíduos, ficou em 25,3% em 2025. Já o índice de reciclagem, que relaciona a produção de PCR à geração de resíduos, foi de 21,3%. Em 2025, foram geradas 5 milhões de toneladas de resíduos plásticos pós consumo no Brasil, das quais 1,27 milhão de toneladas foram efetivamente consumidas pela indústria recicladora.

    O estudo também reforça a relevância das embalagens na cadeia de reciclagem. Elas representaram 69% do volume total de resíduos consumidos pela indústria, com 1,12 milhão de toneladas com aplicações em caixarias, pallets, embalagens terciárias, peças técnicas. As embalagens rígidas responderam por 49,4% do volume total processado, enquanto as flexíveis representaram 19,7%. Quando considerados os plásticos de embalagens e os equiparáveis, nomenclatura utilizada no Decreto nº
    12.688/2025 para os descartáveis contemplados no estudo, o índice de reciclagem mecânica sobe para 24,2%.

    “Os dados de 2025 indicam uma recuperação da indústria de reciclagem mecânica, mas também mostram que o crescimento sustentável do setor exige avanços em toda a cadeia. A disponibilidade de resíduos com qualidade, a regularidade do fornecimento, a eficiência da coleta e da triagem e a competitividade da resina reciclada diante da matéria-prima virgem são fatores decisivos para reduzir a ociosidade e ampliar a produção. O fortalecimento dos diferentes elos, incluindo cooperativas, catadores, empresas de gestão de resíduos e recicladores, é essencial para dar maior escala e previsibilidade ao mercado de plásticos pós-consumo”, afirma Solange Stumpf, sócia executiva da MaxiQuim.

    Recuperação da indústria e desempenho econômico

    O avanço da produção de reciclados se refletiu no desempenho econômico e social do setor. O número de empregos diretos chegou a 21.013, alta de 4,9% em relação a 2024 e o maior volume de toda a série histórica acompanhada pelo estudo desde 2018, superando inclusive o pico de produção registrado em 2022. Segundo a MaxiQuim, o resultado reflete o caráter intensivo de mão de obra do setor. À medida que a produção de reciclados cresce, cresce também a demanda por trabalhadores, mesmo em um cenário de consolidação, no qual o número de empresas recicladoras caiu (-10,8% desde 2018) à medida que companhias menores são absorvidas por operações de maior porte.

    O faturamento bruto nominal da indústria de reciclagem mecânica alcançou R$ 4,2 bilhões em 2025, crescimento de 5,3% em relação ao ano anterior. A capacidade instalada da indústria recuou 1,5%, para 2,39 milhões de toneladas, movimento que, combinado ao avanço da produção, resultou em uma leve redução do nível de ociosidade do setor que, ainda assim, permanece elevado.

    Apesar da melhora dos indicadores, a indústria ainda opera em um ambiente competitivo desafiador. A capacidade instalada permanece elevada em relação ao volume efetivamente produzido, mantendo níveis relevantes de ociosidade. A competitividade diante das resinas virgens também continua sendo um fator crítico para a expansão do setor.

    Origem e perfil dos resíduos reciclados

    O abastecimento da indústria recicladora segue concentrado em canais intermediados. O comércio de resíduos, formado principalmente por sucateiros, foi responsável por 37% do volume adquirido pelas recicladoras, equivalente a 606 mil toneladas. Na sequência aparecem as aparas industriais, com 22%, e os beneficiadores, com 18%.

    As cooperativas responderam por 9% do fornecimento e os catadores, por menos de 1%, participação que, segundo o levantamento, evidencia desafios persistentes na base de coleta e triagem, especialmente relacionados à remuneração, à escala, à produtividade e à estabilidade de fornecimento.

    Um destaque da edição 2025 é o crescimento acima da média do fornecimento via empresas de gestão de resíduos, que incluem operações de logística reversa e hoje respondem por 10% do volume consumido pela indústria. A tendência deve se acentuar nos próximos anos em função do Decreto nº 12.688/2025, que regulamenta metas de logística reversa para embalagens plásticas e deve dar mais protagonismo a esse elo da cadeia.

    Produção de PCR e segmentos de destino

    A produção de resina reciclada pós-consumo voltou a superar a marca de 1 milhão de toneladas em 2025, sendo que o PET representou 39% do total produzido, seguido por PEAD (21%), PP (18%) e PEBD/PELBD (15%).

    Entre os segmentos que mais demandaram PCR em 2025, o setor Alimentos e Bebidas liderou, com 183 mil toneladas, seguido por Higiene Pessoal, Cosméticos e Limpeza Doméstica, com 147 mil toneladas. A Construção Civil e Infraestrutura apareceu na terceira posição, com 124 mil toneladas.

    O destaque do ano foi o segmento Industrial, que cresceu mais de 32% em relação a 2024. O setor de Brinquedos também apresentou avanço expressivo, de 40%. Já a construção civil registrou queda de 5%, mas permaneceu entre os três segmentos com maior volume de vendas de plásticos PCR.

    Concentração regional

    A produção de resina reciclada pós-consumo segue concentrada nas regiões Sudeste e Sul do país. O Sudeste respondeu por 55,9% da produção nacional de PCR, com 595 mil toneladas (+6,5%), enquanto o Sul produziu 282 mil toneladas (+5,9%), o equivalente a 26,5% do total. O Norte apresentou o maior avanço proporcional do país, de 17,1% em relação a 2024, embora ainda represente uma parcela reduzida da produção nacional.

    O Nordeste registrou retração de 1,1% em 2025, para 137 mil toneladas, após anos de crescimento acima da média nacional. Para a MaxiQuim, o resultado configura uma acomodação pontual, e não um ponto de atenção estrutural: a região vinha ganhando participação mesmo em anos de retração do setor no país, e o recuo observado agora deve ser acompanhado nos próximos ciclos antes de indicar uma mudança de tendência.

    A distribuição regional também evidencia a movimentação de resíduos entre diferentes mercados. A concentração produtiva no eixo Sudeste-Sul e a busca por matéria-prima em diferentes regiões reforçam a importância da estrutura de
    coleta, triagem, transporte e comercialização para o funcionamento da cadeia de reciclagem.

    “Os últimos anos foram de aprendizado para a indústria de reciclagem, que precisou se adaptar a um ciclo de baixa nas resinas virgens sem perder competitividade. O resultado de 2025 mostra que esse processo de adaptação avançou, o setor voltou a crescer, gerou mais empregos e ganhou eficiência, mesmo em um cenário ainda desafiador. Com o Decreto nº 12.688/2025 avançando e a logística reversa ganhando escala, a expectativa é que esse movimento de recuperação continue nos próximos anos”, ressalta Solange Stumpf.

    Sobre o Movimento Plástico Transforma

    Criado em 2016, o Movimento Plástico Transforma tem como objetivo promover conteúdo e ações educativas que demonstram que o plástico, aliado à tecnologia, à criatividade e à responsabilidade, traz inúmeras possibilidades para os mais diferentes segmentos. Além do site, em que é possível encontrar conceitos importantes sobre aplicações, reutilização, descarte correto e reciclagem do plástico, o Movimento é responsável por diversas ações voltadas à sociedade que juntas já impactaram milhares pessoas. A iniciativa é uma ação do PICPlast – Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico fruto da parceria entre a ABIPLAST e a Braskem. Para mais informações acesse as redes sociais: Facebook, Instagram, LinkedIn e YouTube.

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