09/09/2026
A pedido de José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Conselho da ABIPLAST, compartilhamos a seguir uma reflexão de caráter pessoal sobre o atual cenário brasileiro e alguns dos principais desafios para o desenvolvimento econômico e social do país.
No texto, Roriz aborda temas como competitividade da indústria brasileira, responsabilidade fiscal, segurança jurídica, educação, fortalecimento das instituições e geração de oportunidades para as próximas gerações.
As posições institucionais da ABIPLAST diante da indústria de transformação e reciclagem de plásticos continuam sendo construídas, como sempre, com base técnica, dados sólidos e diálogo com todos os agentes públicos, independentemente de governo, partido ou espectro político.
Confira, abaixo, o manifesto na íntegra.
“Quem me conhece sabe que sempre fui muito transparente nas minhas posições. Ao mesmo tempo, faço questão de separar claramente minhas opiniões pessoais das posições institucionais da ABIPLAST.
Quando me manifesto ou concedo entrevistas em nome da entidade, tenho muito cuidado em preservar o diálogo com todos os agentes públicos, independentemente de governos, partidos ou posições políticas. Essa independência, acredito, tem sido fundamental para construirmos credibilidade e mantermos abertos os canais necessários para defender os interesses da indústria de transformação e reciclagem de plásticos.
Nossos pleitos institucionais são construídos com o apoio de uma equipe extremamente dedicada, procurando sempre fundamentá-los tecnicamente, com argumentos consistentes, dados sólidos e fontes confiáveis.
Feita essa distinção, gostaria de compartilhar uma reflexão estritamente pessoal, especialmente neste momento em que vejo um país muito dividido e com pouca previsibilidade sobre o caminho necessário para alcançarmos crescimento econômico sustentável e melhora efetiva dos nossos indicadores sociais.
Precisamos, com urgência, mudar o rumo do Brasil.
Há muitos anos acumulamos problemas estruturais que sucessivos governos não conseguiram resolver e que já não podem mais ser tratados como normais.
Nossos jovens encontram enormes dificuldades para empreender. A qualidade da educação continua muito aquém do que o Brasil necessita e, em muitas regiões, crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos às drogas e ao avanço do crime organizado.
As famílias convivem com endividamento, custo de vida elevado e juros extremamente altos. As empresas enfrentam crédito caro, elevada carga tributária, burocracia e insegurança jurídica. O crescimento das recuperações judiciais, inclusive no agronegócio, é mais um sinal de alerta e sabemos que as dificuldades das pequenas e médias empresas muitas vezes sequer aparecem nas manchetes.
As contas públicas também preocupam. O elevado endividamento, os déficits recorrentes e o enorme custo dos juros retiram recursos que poderiam ser direcionados a investimentos, infraestrutura, educação, saúde e segurança. Ao mesmo tempo, o aumento da carga sobre quem produz, investe e consome reduz nossa capacidade de crescer.
Também me preocupa profundamente o avanço do crime organizado e o desgaste da confiança da população nas instituições. Executivo, Congresso, Judiciário e demais órgãos de Estado precisam permanentemente preservar sua credibilidade, independência e respeito perante a sociedade.
No cenário internacional, o Brasil também enfrenta desafios. Barreiras comerciais, tarifas, cotas e medidas de defesa comercial mostram que o mundo está cada vez mais protecionista. Precisamos defender nossos interesses com competência e pragmatismo.
E aqui está uma questão que conhecemos muito bem: a indústria brasileira perdeu competitividade.
Produtos importados, especialmente asiáticos, avançam rapidamente no mercado nacional enquanto nossas empresas convivem com juros elevados, tributação complexa, burocracia, infraestrutura cara e insegurança jurídica.
Quando uma fábrica brasileira perde mercado, não perdemos apenas produção. Perdemos investimentos, renda, tecnologia e empregos brasileiros.
E o problema já não está restrito à indústria. Uma parcela importante do agronegócio também enfrenta margens comprimidas, endividamento e dificuldades financeiras.
Enquanto isso, o país permanece dividido por disputas políticas intermináveis. Famílias e amigos brigam por política quando deveríamos estar discutindo aquilo que realmente importa: que Brasil queremos construir para as próximas gerações?
Independentemente de quem venha a governar o país, a tarefa será gigantesca: recuperar a responsabilidade fiscal, fortalecer as instituições, combater efetivamente o crime organizado, melhorar radicalmente a educação, estimular investimentos e devolver competitividade a quem produz e emprega no Brasil.
Não precisamos de mais divisão entre brasileiros. Precisamos de um projeto sério de país.
O Brasil tem recursos naturais, empresários, trabalhadores, conhecimento, tecnologia e uma enorme capacidade de realização. Temos todas as condições para sermos um país muito mais próspero.
Precisamos de gestão, responsabilidade fiscal, segurança jurídica, educação de qualidade, produtividade e um rumo claro para o futuro.
E talvez um dos sinais mais preocupantes seja ouvir tantos jovens brasileiros bem preparados dizerem que seu maior sonho é deixar o país para desenvolver suas potencialidades no exterior.
Um país que não consegue oferecer perspectivas aos seus jovens está comprometendo o próprio futuro.
Minha posição pessoal é simples: não importa quem esteja no governo. Precisamos voltar a discutir resultados, e não apenas ideologias. Precisamos construir um Brasil em que produzir, investir, empreender, trabalhar e criar nossos filhos volte a ser motivo de confiança no futuro.”
José Ricardo Roriz Coelho
