03/09/2026
Durante a Interplast 2026, ABIPLAST prestou orientações sobre as novas exigências de logística reversa; entidade apresentou soluções de rastreabilidade e dados inéditos do setor
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) registrou intensa procura de empresas interessadas em entender como se adequar às regras estabelecidas pelo Decreto nº 12.688/2025 e como comprovar o atendimento às metas previstas na regulamentação.
As novas exigências para incorporação e comprovação de conteúdo reciclado em embalagens plásticas já começam a mobilizar a indústria brasileira. Durante a Interplast 2026, realizada entre 25 e 28 de agosto, em Joinville (SC), as dúvidas levadas ao estande da entidade envolveram desde quais produtos e materiais podem ser considerados para o cumprimento das metas até a forma de comprovação do conteúdo reciclado, a capacidade dos recicladores para atender à nova demanda e a aplicação das regras a embalagens primárias, secundárias e terciárias.
Segundo representantes da ABIPLAST, o tema esteve entre os principais assuntos discutidos com as empresas durante os quatro dias de evento.
O decreto regulamenta o sistema de logística reversa de embalagens plásticas e estabelece metas graduais de incorporação de conteúdo reciclado, que partem de 22% e chegam a 40% até 2040.
Para Paulo Teixeira, presidente-executivo da ABIPLAST, a movimentação observada durante a Interplast mostra que a regulamentação entrou definitivamente na agenda das empresas. “A indústria já está olhando para a implementação das novas exigências e buscando compreender não apenas quais metas precisam ser cumpridas, mas principalmente como comprovar esse atendimento de maneira segura e auditável. A rastreabilidade passa a ser fundamental nesse processo, porque permite conectar os diferentes elos da cadeia e demonstrar efetivamente a origem e a incorporação do material reciclado”, afirma Teixeira.
Rastreabilidade ganha espaço na agenda das empresas
O tema também esteve no centro da participação da ABIPLAST no 6º Congresso Brasileiro do Plástico, realizado pela primeira vez dentro da programação da Interplast. Na ocasião, Paulo Teixeira apresentou uma questão que sintetiza um dos principais desafios trazidos pelo novo ambiente regulatório: como comprovar, de forma auditável, que o plástico reciclado declarado por uma empresa é efetivamente incorporado ao produto final?
Como resposta a esse desafio, a ABIPLAST apresentou o Recircula Brasil, desenvolvido em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e que agora passou a ser um programa do Governo Federal. A plataforma conecta diferentes agentes da cadeia, como cooperativas, recicladoras, transformadoras e marcas (brand owners) , utilizando informações de notas fiscais eletrônicas e processos de verificação e auditoria independente para rastrear a origem, a destinação e a incorporação do material de plástico reciclado em novos produtos e embalagens.
Atualmente, o Recircula Brasil reúne mais de 1200 agentes da cadeia mapeados e mais de 56 mil toneladas de material rastreado. Além disso, 30% do volume correspondente à meta nacional de conteúdo reciclado já está contratado na plataforma. A iniciativa foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas como modelo de excelência, apresentada durante a COP30 e já vem sendo replicada em outras cadeias de materiais.
Durante a Interplast, a equipe da ABIPLAST também apresentou às empresas o funcionamento da plataforma e sua aplicação para comprovação das informações relacionadas ao conteúdo reciclado.
A orientação técnica da entidade considera que a caracterização do material pós-consumo deve estar relacionada ao cumprimento da função original do produto ou da embalagem, e não exclusivamente ao local em que ocorreu o descarte. Assim, determinados resíduos provenientes de estabelecimentos comerciais, centros de distribuição, varejo, instituições ou instalações industriais podem ser considerados pós-consumo quando esses agentes atuam como usuários finais e o material é posteriormente destinado à recuperação e reciclagem.
Para garantir a rastreabilidade, devem ser identificados elementos como a origem do resíduo, os agentes responsáveis por sua aquisição e transformação, a massa de material reciclado produzida e incorporada e a vinculação das informações entre os diferentes elos da cadeia.
Indústria brasileira já recicla mais de 1 milhão de toneladas de plástico pós-consumo
A discussão regulatória acontece em um momento de avanço da reciclagem em escala industrial no Brasil. Durante a Interplast, a ABIPLAST distribuiu o Preview do Perfil ABIPLAST 2026, que antecipa os principais indicadores da indústria brasileira de transformação e reciclagem de plástico, em 2025.
A indústria recicladora possui capacidade instalada de 2,43 milhões de toneladas, reúne cerca de 1,7 mil empresas recicladoras e gera 16,7 mil empregos.
Do volume de resinas PCR produzido, o PET lidera com 397 mil toneladas, seguido pelo PEAD, com 204 mil toneladas, PP, com 179 mil toneladas, e PEBD/PELBD, com 152 mil toneladas. O material reciclado já retorna para diferentes segmentos da economia, incluindo alimentos e bebidas, higiene pessoal, cosméticos e limpeza doméstica, construção civil e infraestrutura, agroindústria, setor têxtil, automotivo e eletroeletrônico.
Segundo José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Conselho da ABIPLAST, os números demonstram que o país já possui uma indústria de reciclagem estruturada, mas o avanço da circularidade dependerá também de condições que permitam ampliar a utilização dessa capacidade. “O Brasil já possui uma indústria de reciclagem estruturada, com escala, capacidade instalada e presença em diferentes cadeias produtivas. O desafio agora é avançar na incorporação desse material, garantindo rastreabilidade, segurança e condições competitivas para que o conteúdo reciclado ganhe cada vez mais espaço na produção nacional. Os dados mostram que existe uma base industrial importante para avançarmos nesse caminho”, afirma.
O Preview também dimensiona a relevância econômica do setor. A indústria brasileira de transformação e reciclagem de plástico reúne 14,9 mil empresas e 409 mil empregos, sendo o quarto maior empregador da indústria de transformação brasileira. Em 2025, foram fabricadas 7,56 milhões de toneladas de produtos plásticos. O setor prevê ainda R$ 67,4 bilhões em investimentos até 2030.
ABIPLAST amplia presença na Interplast
Além do Recircula Brasil e da divulgação do Preview do Perfil ABIPLAST 2026, a entidade apresentou durante a feira iniciativas como o Movimento Plástico Transforma, a Rede pela Circularidade do Plástico e outras ações voltadas à sustentabilidade e à circularidade da cadeia. A ABIPLAST também participou da programação técnica do evento, incluindo o seminário dedicado à reciclagem.
A edição de 2026 da Interplast reuniu cerca de 35 mil visitantes, 400 expositores e mais de mil marcas, com representantes de 25 estados brasileiros e 35 países. A expectativa dos organizadores é que aproximadamente R$ 600 milhões em negócios sejam movimentados a partir das tratativas iniciadas durante o evento e nos 12 meses seguintes.
Sobre a ABIPLAST
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) representa, desde 1967, o setor de transformados plásticos e de reciclagem no Brasil, atuando para ampliar sua competitividade. A entidade promove novas tecnologias, processos, pesquisas e produtos com foco na sustentabilidade, tendo a economia circular como prioridade estratégica. Atualmente, a ABIPLAST representa um universo de mais de 14,9 mil empresas de transformação e reciclagem de plásticos, que juntas empregam 409,4 mil profissionais em todo o país.
