02/09/2026
Workshop promovido pelo Comitê de Descarbonização discutiu gestão de emissões, mudanças regulatórias e oportunidades para o setor
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), por meio de seu Comitê de Descarbonização, discutiu os impactos da agenda climática para a indústria do plástico e como apoiar as empresas na construção de estratégias para uma economia de baixo carbono.
O encontro “Descarbonização do Setor Plástico: Tendências, Desafios e Oportunidades” reuniu representantes do setor para discutir temas como inventários de gases de efeito estufa (GEE), pegada de carbono, emissões ao longo da cadeia de valor, economia circular, eficiência energética, mercado regulado de carbono e novas regulamentações que começam a influenciar a competitividade das empresas e sua estratégia de negócio.
Na abertura, o presidente-executivo da ABIPLAST, Paulo Teixeira, destacou que a descarbonização está diretamente relacionada a iniciativas que o setor já vem desenvolvendo, especialmente nas áreas de reciclagem, economia circular, redesign de embalagens, logística reversa, eficiência energética e uso de matérias-primas de fontes renováveis ou recicladas. Atualmente, cerca de 17% das matérias-primas utilizadas pelo setor já são circulares, provenientes de fontes renováveis ou recicladas, enquanto o indicador de reciclagem mecânica está próximo de 25% das embalagens colocadas no mercado.
“A agenda de descarbonização não começa agora para a indústria do plástico. Ela se conecta a um trabalho que o setor já vem desenvolvendo em economia circular, reciclagem, logística reversa, eficiência energética e escolha das matrizes energéticas. Nosso desafio é sistematizar essas iniciativas e construir uma agenda coletiva que permita ao setor avançar nessa transição de forma consistente e competitiva”, afirma Teixeira.
O workshop contou com apresentação de Henrique Pereira, CEO da WayCarbon, que abordou os diferentes níveis de maturidade das empresas na agenda climática, desde aquelas que começam a estruturar seus processos de monitoramento até organizações que já enfrentam desafios mais complexos relacionados à gestão de dados e às emissões de Escopo 3. Segundo Pereira, embora a transformação do plástico tenha baixa intensidade de emissões diretas (Escopo 1), como por exemplo máquinas operantes e frota própria, o setor está inserido em cadeias nas quais o carbono assume importância crescente, especialmente pelo conteúdo reciclado incorporado às matérias-primas e aos produtos. Uma das iniciativas que Henrique apontou em relação ao setor foi o Recircula Brasil, programa de rastreabilidade de certificação de conteúdo reciclado em produtos e embalagens plásticas.
Nesse cenário, uma das principais mensagens do encontro foi a necessidade de tratar a descarbonização como parte da estratégia dos negócios. Além de reduzir emissões, as empresas precisam avaliar riscos climáticos, eficiência operacional, custos, demandas dos clientes e tendências regulatórias. A definição de metodologias de monitoramento, inventários e pegadas de carbono deve, portanto, estar associada aos objetivos de cada companhia e às características de seus produtos e mercados.
Circularidade ganha espaço na agenda de carbono
Um dos pontos de atenção apresentados durante o workshop foi a crescente importância das emissões de Escopo 3, relacionadas à cadeia de valor. Para a indústria de transformação do plástico, a maior parcela das emissões tende a estar justamente nesse escopo, principalmente em razão do carbono incorporado aos polímeros adquiridos, além das atividades de transporte e destinação final dos produtos.
Já no Escopo 2, relacionado às emissões indiretas decorrentes do consumo de energia, o cenário brasileiro apresenta uma característica favorável. Embora a indústria de transformação do plástico tenha processos que demandam quantidade relevante de energia elétrica, o setor se beneficia de uma matriz elétrica de baixa intensidade de carbono em comparação com outros países, o que contribui para reduzir as emissões associadas ao consumo energético das empresas.
As discussões em andamento para a revisão do GHG Protocol também apontam para exigências maiores em relação à qualidade e à granularidade dos dados utilizados no cálculo das emissões de Escopo 3. Entre os movimentos acompanhados está a perspectiva de incorporação de metodologias relacionadas à circularidade, como créditos de conteúdo reciclado, aproximando ainda mais as agendas de reciclagem e descarbonização.
Regulação pode trazer desafios e oportunidades
O encontro também discutiu o avanço das regulações climáticas no Brasil e no exterior. Entre os temas abordados estiveram o mercado regulado de carbono brasileiro (SBCE), instrumentos internacionais de precificação de carbono (CBAM) e exemplos de financiamento voltados à transição para uma economia de baixo carbono, como o EcoInvest.
Para o setor de transformação do plástico, os impactos regulatórios tendem a ocorrer principalmente de maneira indireta, seja por possíveis repasses de custos de segmentos mais intensivos em carbono, seja pelo aumento das exigências de grandes clientes em relação à mensuração e redução das emissões ao longo de suas cadeias de fornecimento.
Ao mesmo tempo, a agenda abre oportunidades. Produtos com menor intensidade de carbono, maior conteúdo reciclado e informações ambientais rastreáveis podem ganhar competitividade, principalmente em cadeias exportadoras e mercados que passam a incorporar o carbono como variável nas decisões de negócio . Também avançam instrumentos de financiamento voltados a projetos de descarbonização, economia circular e bioeconomia.
“O setor precisa olhar para a descarbonização a partir de uma perspectiva estratégica. Produzir com menor intensidade de carbono pode significar maior eficiência, resiliência e competitividade. Quanto antes as empresas compreenderem onde estão suas emissões, quais são as demandas de seus clientes e quais movimentos regulatórios podem afetar seus negócios, maior será a capacidade de planejar essa transição e capturar oportunidades”, destaca Henrique Pereira.
Sobre a ABIPLAST
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) representa, desde 1967, o setor de transformados plásticos e de reciclagem no Brasil, atuando para ampliar sua competitividade. A entidade promove novas tecnologias, processos, pesquisas e produtos com foco na sustentabilidade, tendo a economia circular como prioridade estratégica. Atualmente, a ABIPLAST representa um universo de mais de 14,9 mil empresas de transformação e reciclagem de plásticos, que juntas empregam 409,4 mil profissionais em todo o país.
