Adaptação de máquinas custará bilhões

    13/11/2013

    BRASÍLIA – As novas normas de segurança para máquinas e equipamentos desataram uma onda de críticas ao governo, considerado insensível aos efeitos práticos das medidas no “chão da fábrica” e refratário a uma calibragem das exigências. “A norma é tecnicamente boa, mas impossível de ser cumprida. Precisamos evoluir para um ponto de equilíbrio”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria da Panificação (Abip), o mineiro José Batista de Oliveira.

    O governo rebate dizendo que a regra teve aval dos industriais em um conselho tripartite. “A CNI concordou. Mas podemos achar esse equilíbrio porque a norma é viável e protege os trabalhadores,” diz o coordenador-geral de Normatização e Programas do Ministério do Trabalho, Rinaldo Costa Lima.

    As dificuldades são várias, informam os empresários. Em Novo Hamburgo (RS), uma indústria de calçados não pode fazer as adaptações exigidas pela NR 12 sob pena de perder a garantia das máquinas fabricadas por uma empresa italiana.

    “Quer dizer, é permitido produzir, mas proibido utilizar”, resume o consultor do Sinduscon-RS, Sergio Ussan. Dono da SL Engenharia e professor de segurança do trabalho na Unisinos, ele dá outro exemplo: uma ponte rolante, espécie de guindaste, usada em uma fábrica de pré-moldados, teve 18 pontos irregulares identificados por engenheiros do Senai.

    Em Maringá (PR), a metalmecânica ZM Bombas teria que gastar R$ 5 mil para adaptar cada uma de suas prensas às novas regras. “Uma guilhotina de corte custaria R$ 30 mil”, diz o dono da empresas, Carlos Walter Martins.

    Padarias. A adaptação de cada uma das 65 mil padarias do País aos novos padrões tecnológicos custaria R$ 7,5 bilhões, calcula a Abip. O segmento faturou R$ 70 bilhões em 2012. “Não vamos resolver isso com um ‘cumpra-se’ do governo”, diz José Batista de Oliveira.

    A indústria de plástico estima que as 60 mil máquinas em operação no setor, boa parte desde a década de 1980, teriam um custo de adaptação próximo de R$ 2,5 bilhões. Desde 2005, em São Paulo, o segmento adota uma convenção assinada com 39 sindicatos de trabalhadores para garantir segurança no uso de máquinas e equipamentos.

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