Para Fiesp, indústria continua perdendo valor

    26/11/2013

    A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) concluiu há pouco dias um estudo em que questiona o que chamou de “mitos”. A entidade se opõe a três afirmações sobre o desempenho da indústria brasileira que alguns economistas têm feito e que, na avaliação da federação, não estão corretas. A principal delas é a de que a desindustrialização relativa – para a qual há anos a federação vem chamando a atenção – não estaria ocorrendo.

    Além do “mito” em torno da discussão sobre desindustrialização, outros dois foram confrontados pela federação: a ideia de que os setores de maior intensidade tecnológica estariam ganhando participação no PIB e o entendimento de que a importação de alta tecnologia tem sido direcionada para a modernização da indústria e para o aumento da produtividade, portanto, não sendo algo negativo para a indústria sediada no país.

    “Existia uma percepção, e o nosso estudo demonstra que isso estava errado, de que neste período em que o real esteve valorizado, a indústria tivesse se modernizado, comprado equipamentos e tivesse ampliado sua produtividade, e que nós estaríamos produzindo itens de maior valor agregado. Mas o nosso estudo não apontou isso”, diz. “A gente continua exportando mais produtos de média e baixa tecnologia e importando cada vez mais produtos de alta tecnologia”, acrescentou José Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp.

    O estudo bate de frente com algumas declarações recentes, como a feita em 18 de setembro pelo ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Fernando Pimentel, que afirmou em audiência pública, na Câmara dos Deputados, que o Brasil não passava por um processo de desindustrialização. Na ocasião, o ministro teria comentado que o país estava, na verdade, saindo de uma base industrial construída no século 20, caracterizada por indústrias intensivas em trabalho e de baixo conteúdo tecnológico, e caminhando para uma base industrial do século 21, caracterizada por indústrias de capital intensivo e alto conteúdo tecnológico.

    Baseado nos dados mais recentes da Pesquisa Industrial Anual (PIA) e das Contas Nacionais, o estudo da Fiesp chama atenção para a queda da participação da indústria no PIB brasileiro, para 13,3% em 2012, patamar mais baixo desde 1955. Também destaca que a estrutura da indústria não se sofisticou, numa avaliação sobre o nível de intensidade tecnológica.

    A desindustrialização, na avaliação da federação, tem abarcado a maior parte dos setores e todos os níveis de intensidade tecnológica. Os próprios setores considerados de alta e média-alta tecnologia – contrariando opiniões correntes – teriam reduzido sua participação no PIB, segundo a Fiesp.

    Na avaliação de Roriz, há duas razões principais para a continuidade do processo de desindustrialização relativa, iniciado em 1985. A primeira diz respeito ao custo brasil, o que envolve “carga tributária elevada e complexa, alto custo de capital devido aos juros básicos e spread, elevado custo de insumos e energia e infraestrutura logística precária”. O segundo fator seria a sobrevalorização cambial.

    Para Roriz, a questão da falta de mais inovação, muitas vezes levantada por economistas como um dos fatores dos problemas na indústria, não pode ser incluída entre os principais elementos da desindustrialização. Ele justifica dizendo que um outro trabalho da Fiesp mostrou recentemente que um produto brasileiro fica em média 34% mais caro, se levados em conta o câmbio e o custo brasil, quando comparado a um produto similar feito em países que concorrem com o Brasil. “Compensar esses 34% com inovação e tecnologia é muito difícil”, disse. “Há muita coisa a ser feita nas empresas, mas dificilmente algo compensara isso”, acrescentou.

     

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