Emprego na indústria de plástico encolhe com veículos

    12/08/2014

    A expansão de 0,6% nos empregos no acumulado do ano até junho, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego Industrial do IBGE, coloca o segmento de borracha e plástico em uma posição relativamente mais confortável do que os demais segmentos. A indústria de transformação registrou nos primeiros seis meses do ano queda de 2,3% no saldo de pessoal ocupado. Para os empresários da indústria de materiais plásticos, no entanto, a situação é mais difícil do que mostramos números do IBGE: desde abril as fábricas pararam de contratar e começaram a demitir.

    “Há 15 anos o balanço de empregos no segundo trimestre não ficava negativo”, diz, surpreso, José Ricardo Roriz, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Segundo dados da instituição, divulgados ontem, de dezembro de 2013 a março deste ano, houve um aumento de 5.905 postos de trabalho na indústria. Mas, a partir de abril, o quadro da mão de obra começou a se inverter.

    Em maio e junho, as demissões se aceleraram: 1.799 postos de trabalho foram fechados em maio e outras 1.141 vagas tiveram igual fim em junho. “A Copa do Mundo e as eleições geraram uma expectativa muito grande no empresariado, que acreditava em uma recuperação nas vendas após um ano ruim, que foi 2013. Mas as expectativas foram frustradas”, afirma Roriz, esclarecendo que no primeiro trimestre houve um esforço concentrado dos empresários para estocar produtos e o consequente aumento de contratações.

    Para o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério de Souza, o aquecimento do mercado de trabalho do setor, no início de ano, explica, em parte, a aparente contradição entre os números do IBGE e dos empresários. Outro ponto é o fato dos dados do IBGE abrangerem também a indústria de borracha.

    No entanto, no geral, por serem categorias pertencentes ao grupo de bens intermediários, tanto o setor de borracha quanto o de material plástico sofrerão, no curto ou médio prazo, os impactos do mau momento da indústria de transformação.

    “A desaceleração da indústria automobilística – com queda na produção de 16,9% no acumulado do ano-é um dos principais elementos para a retração no ritmo de produção tanto de acessórios plásticos quanto de borracha”, salienta, Rogério de Souza.

    Segundo a Abiplast ,no primeiro semestre do ano, foram produzidas 3,08 milhões de toneladas de produtos transformados plásticos, o que representa uma retração de 1,9% na produção física do setor de transformados plásticos em relação ao mesmo período do ano anterior. Os três segmentos que compõem a indústria apresentaram retração, sendo que houve uma queda mais acentuada, de 4,4%, na produção de laminados. Já a produção de embalagens teve um recuo de 1,5%, enquanto que a produção de peças e acessórios para construção civil de plástico caiu 0,5%.

    “O fato de o setor de alimentos e bebidas estar um pouco melhor do que o restante da indústria de transformação também representa um jogo inverso nessa lógica de desaceleração do segmento de materiais plásticos, que pode ter ajudado, temporariamente, o setor a ter ganhos e, assim, conter as demissões”, pontua Rogério de Souza ,do Iedi.

    Dados do IBGE mostram que a indústria de alimentos e bebidas contou com uma alta na produção de 2,1% nos primeiros seis meses do ano. Já o setor de borracha e materiais plásticos acumulou uma retração de 2,1% no mesmo período. Ainda assim, esse foi um resultado um pouco melhor do que a indústria em geral, que apontou para uma queda de 2,6% no ritmo de atividade.

    Para José Ricardo Roriz, da Abiplast, a desaceleração da produção do segmento está ligada não só à redução da demanda por produtos transformados plásticos da área automotiva como também de embalagens para produtos químicos, além de peças e acessórios que servem como insumo para indústria da construção civil. Segundo o executivo, as taxas de juros altas e a competição como mercado externo acabam limitando as condições de recuperação do setor no segundo semestre do ano. “Tudo é entrave ao investimento. O que tem feito com que o índice de confiança no setor seja um dos mais baixos”, afirma.

     

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