Precisamos de condições para competir

    24/07/2015

    “Desde a primeira posse de Barack Obama, as exportações dos Estados Unidos para o Brasil aumentaram mais de 50%. O comércio bilateral superou o patamar de um bilhão de dólares por ano, com saldo favorável a Tio Sam. É mais um jogo que estamos perdendo na economia global, um sintoma agudo de nossa baixa competitividade.

    Números oficiais mostram que os Estados Unidos foram o segundo principal parceiro comercial brasileiro em 2014, com participação de 13,7% no total de nosso comércio exterior. Entre 2010 e 2014, o nosso intercâmbio comercial com os norte-americanos cresceu 33,8%, saltando de US$ 46,35 bilhões para US$ 62,03 bilhões. O saldo da balança comercial foi favorável aos Estados Unidos no período. O Brasil amargou, em 2014, déficit de US$ 7,97 bilhões.

    Especificamente no setor de plásticos transformados, importamos, em 2014, US$ 583,02 milhões, e exportamos US$ 121,15 milhões. O saldo setorial foi negativo para o Brasil em US$ 461,87 milhões.

    Nosso país é quase uma exceção quando analisamos o intercâmbio bilateral dos norte-americanos. Em 2014, os EUA apresentaram déficit em transações correntes de US$ 430,9 bilhões. A balança comercial foi deficitária em cerca de US$ 720 bilhões. Ter saldo negativo no intercâmbio bilateral com os Estados Unidos é algo como a Alemanha, campeã do mundo em 2014, ser eliminada da Eurocopa pelo time de Liechtenstein. Com todo o respeito ao simpático principado, é o tipo de resultado que não se pode admitir.

    Para virar esse jogo, precisamos de juros e impostos compatíveis com os vigentes nos países com os quais competimos. Temos de rever o modelo do Real desvalorizado e da Selic alta como estratégia única de combate à inflação. Ademais, nossa legislação é anacrônica, com taxas onerosas incidentes sobre insumos, serviços e normas trabalhistas. Tudo isso soma-se à insegurança jurídica e ao desequilíbrio fiscal, que vem sendo combatido com remédios errados, cortando-se recursos da infraestrutura, educação e outras prioridades, em vez do custeio da máquina administrativa.

    Ao contrário dos norte-americanos, não podemos nos dar ao luxo de manter déficit comercial, como ocorreu em 2014. Para a indústria e a economia brasileiras, as exportações de manufaturados desempenham papel importante na geração de empregos, renda e alimentação do PIB. Para sairmos da crise, precisamos de competitividade já!”.

     

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